quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Quando as Bruxas Viajam


O livro Quando as Bruxas Viajam desafia a tênue linha entre sabedoria e asneiras que bêbados frequentemente figuram. Terry Pratchett, autor do livro, merece créditos por deixar leitores confusos ao tentar definir o seu estilo literário, mas certamente é algo entre fantasia e realidade.

Quando as Bruxas Viajam faz parte de uma série de livros de fantasia chamada Discworld, que teve seu primeiro volume publicado em 1971 e desde então 39 livros foram lançados, e é mundialmente conhecida por satirizar escritores consagrados como J. R. R. Tolkien, responsável pela trilogia Senhor dos Anéis e C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, mas além disso o livro captura banalidades humanas e as manipula de tal jeito que nos faz ter consciência de como certas coisas que fazemos são ridículas e desnecessárias.

O título do livro engana, assim como a sua capa, fazendo possíveis compradores acharem que se trata de uma história para crianças e sua escrita se caracteriza por ter um humor tácito que um leitor desatento acharia que é bobeira. O que acontece é, na verdade, exatamente o contrário, crianças não conseguiriam compreender a natureza do texto e ficariam confusas com os rodeios nas frases para, finalmente, Terry concluir a ideia original.

O enredo do livro é, basicamente, sobre três bruxas, sendo que uma delas vira uma fada madrinha bem incomum, que resolvem viajar para impedir que um final feliz aconteça. Você deve estar pensando que é exatamente isso que bruxas fazem, mas no universo de Discworld a maioria das bruxas são boas e uma pessoa pode ser má independentemente de sua ocupação.

O caso é que essas três bruxas são forçadas a sair do seu lugar-comum e ir para o estrangeiro, que pode ser um lugar muito bizarro de acordo com seu ponto de vista, com destino à cidade de Genua onde uma princesa se recusa a se casar com “Príncipe”, mas no local onde tudo é uma história, que o final não pode ser mais nada além do que feliz, o matrimônio parece ser inevitável. O livro torna quase impossível não pensar na questão do livre arbítrio e nos valores morais do mundo atual.

O meu conselho é: leia com a mente aberta a realidades que não sejam a sua e tente se identificar com um personagem só, outra missão digna de Tom Cruise, e tente ser rápido, pois Terry Pratchett foi diagnosticado com Alzheimer em 2008 e vêm lutando pelo seu direito de eutanásia  e uma vez morto será mais difícil conseguir os livros.

E, para incitá-los mais um pouco, um pedacinho do livro:

“Porque as histórias são importantes. As pessoas pensam que dão forma às histórias. Na verdade, é o contrário. (...) As histórias existem apesar de seus participantes (...) As histórias deixam sulcos profundos o suficiente para as pessoas seguirem da mesma maneira que a água segue certos caminhos nas encostas das montanhas”.

E isso não é nem a metade dos trechos estonteantes desta bela obra do genial Terry Pratchett.



Um comentário:

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